Me impressiona a capacidade que tenho de me ocultar em palavras e mais ainda por acreditar que estou de fato escondido naquilo que escrevo. Definitivamente, isso nunca será uma verdade absoluta; absolutamente, esse poder eu ainda não adquiri. Deus ainda não acredita que os seres humanos possam ter poderes; e invisibilidade, se existisse uma ordem de poderes a serem creditados ao homem, certamente é um dos últimos dos dons.
Devo então colocar aqui diante de todos o que tenho passado e sentido nos últimos dias? Devo vir e me expor e me humilhar, para finalmente me desapegar desta falsa crença de que a sutileza de meus verbos e substantivos e principalmente preposições, advérbios e adjetivos podem expressar o que sinto, mas sem tornar meus sentimentos escrachados e grosseiramente divulgados? Será? Porque, de uma certa maneira, todo este esforço por fazer das minhas palavras expressão do que sinto, mas tudo na mira mais indireta e na medida mais discreta e educada possível, não passa de um mecanismo de defesa para não desnudar a minha fragilidade e fraqueza.
Tenho vivido nesse redemoinho de sentimentos ocultos, tão discretos e escondidos, por tanto tempo que cheguei no ápice de não reconhecer a mim mesmo. Cheguei ao extremo de não saber o que havia dentro de mim e de sentir vergonha quando descobria. Por meio dessa elegância no portar, no trajar e no andar das palavras, acabei por me encantar com a imagem firme e forte que transmitia e nunca dei chances para enxergar a estrutura quebradiça e desmontável que todo o ser humano possui. Ser humano o qual eu também sou. Criatura na qual eu também fui criado.Sem poderes, sem truques, sem mais artimanhas.
Reconheço: toda a maquiagem não é real e o que se está escondendo pode sim ser bonito e valioso e admirável e encantador. Tornei-me, desta forma, vivendo um grande colapso psicológico que quase me custou a sanidade, um ser humano, com suas limitações, fraquezas e sentimentos "bobos" e "tolos"; que chora e sente dor; que não sorri todo o tempo; que não é obrigado a ser feliz para todo mundo. E das minhas palavras só restaram a beleza, a elegância e a poesia. Frutos do ser humano inalcançável, que é todo-poderoso, invisível, oculto, misterioso e sagaz, sutil e enigmático. Um sonho. Portanto, jamais, a verdade.
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